Juro real do Brasil fica em 8,45% após novo corte da Selic - IpecAgora
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Levantamento considera a inflação projetada e os juros negociados para os próximos 12 meses; taxa básica caiu de 14% para 13,75% ao ano

O juro real brasileiro foi calculado em 8,45% ao ano após a nova redução da taxa Selic, segundo levantamento do Portal MoneYou em parceria com a Lev Intelligence. O indicador estava em 9,30% na apuração realizada em agosto.

Nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano. A decisão representa um corte de 0,25 ponto percentual.

O levantamento analisa 40 economias e utiliza uma metodologia diferente da simples subtração da inflação atual da taxa Selic. O cálculo combina a expectativa de inflação para os próximos 12 meses, estimada em 4,71%, com a taxa de juros projetada pelo mercado para o mesmo período.

O que é juro real?

O juro nominal corresponde à taxa divulgada sem o desconto da inflação. Já o juro real busca demonstrar o rendimento ou o custo financeiro depois de considerada a perda do poder de compra provocada pela alta dos preços.

De forma simplificada, uma aplicação que rende 10% ao ano não proporciona ganho real de 10% quando existe inflação no mesmo período. Parte da rentabilidade apenas compensa a variação dos preços.

No caso brasileiro, a taxa real de 8,45% apresentada pelo levantamento considera projeções futuras, e não somente dados de inflação já registrados.

Selic recua para 13,75%

A Selic é a taxa básica da economia brasileira e serve como referência para diferentes operações financeiras. Ela influencia os juros cobrados em empréstimos e financiamentos, além da remuneração de investimentos de renda fixa.

Com a decisão de setembro, a taxa passou de 14% para 13,75% ao ano. Mesmo com a redução, os efeitos não chegam imediatamente a todas as modalidades de crédito, pois os valores cobrados dos consumidores também dependem de fatores como risco de inadimplência, custos administrativos, impostos e margem das instituições financeiras.

O comportamento da Selic também interfere na rentabilidade de aplicações vinculadas ao CDI ou à própria taxa básica, como determinados títulos públicos e produtos bancários.

Inflação projetada interfere no resultado

A queda do juro real entre agosto e setembro ocorreu com a combinação da redução da Selic e da atualização das expectativas para a inflação.

Quando a inflação projetada aumenta sem uma elevação equivalente dos juros, a taxa real tende a diminuir. Quando os juros sobem ou a previsão de inflação recua, o resultado real pode aumentar.

Por isso, o indicador pode mudar mesmo nos meses em que o Banco Central decide manter a Selic. Alterações nas projeções de inflação e nas taxas negociadas pelo mercado também afetam o cálculo.

O que muda para consumidores e investidores?

Uma redução da Selic pode contribuir gradualmente para a diminuição do custo do crédito, mas o impacto depende da modalidade contratada e da política de cada instituição financeira.

Para os investidores, a mudança influencia principalmente aplicações de renda fixa pós-fixadas. A rentabilidade, entretanto, também deve ser avaliada considerando inflação, impostos, taxas administrativas, prazo e risco do investimento.

As próximas decisões do Copom dependerão da evolução da inflação, da atividade econômica e dos riscos identificados pelo Banco Central.

Informações baseadas no levantamento nos dados sobre a taxa Selic publicados pelo Banco Central.

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