O El Niño continua se intensificando no Oceano Pacífico e pode alcançar um patamar histórico nos últimos meses de 2026. A projeção foi divulgada pelo Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Segundo a atualização publicada em 10 de setembro, existe mais de 90% de probabilidade de o fenômeno permanecer muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte — período correspondente à primavera e ao início do verão no Brasil.
Para o trimestre entre outubro e dezembro, a NOAA estima em 75% a chance de o episódio superar a intensidade dos demais eventos registrados desde 1950.
A projeção, entretanto, representa uma probabilidade e poderá ser modificada à medida que novos dados sobre o oceano e a atmosfera forem incorporados aos modelos climáticos.
Pacífico apresenta aquecimento acelerado
As medições realizadas em agosto mostram aumento das temperaturas da superfície do mar em diferentes áreas do Pacífico equatorial.
Na região Niño 3.4, utilizada como uma das principais referências para acompanhar o fenômeno, a temperatura ficou 1,8°C acima da média. As anomalias chegaram a 2,5°C na região Niño 3 e a 3,4°C na área Niño 1+2, localizada mais próxima da costa da América do Sul.
Também foram observadas alterações na circulação dos ventos e na distribuição das chuvas sobre o Pacífico. A combinação entre o aquecimento do oceano e as mudanças atmosféricas confirma que o El Niño está estabelecido e continua ganhando intensidade.
O que seria um El Niño histórico?
A NOAA considera a possibilidade de o índice relativo de temperatura do oceano atingir ou ultrapassar 2,5°C na média de três meses entre outubro e dezembro.
Caso essa projeção seja confirmada, o episódio de 2026 poderá superar eventos intensos como os registrados em 1982–1983, 1997–1998 e 2015–2016.
O meteorologista Alexandre Nascimento, CEO da Nottus, avalia que o fortalecimento já era esperado diante da rápida evolução das temperaturas no Pacífico. Segundo ele, uma alteração de poucos graus em uma área oceânica tão extensa representa uma quantidade expressiva de energia acumulada.
Intensidade não determina sozinha os impactos
Um El Niño muito forte aumenta a possibilidade de alterações importantes nos padrões de chuva e temperatura, mas não permite determinar antecipadamente a intensidade dos efeitos em cada região.
Outros fatores oceânicos e atmosféricos também influenciam o clima. Por isso, um episódio mais intenso no Pacífico não significa que todos os estados brasileiros enfrentarão impactos proporcionais à força do fenômeno.
As previsões regionais precisam ser atualizadas ao longo da primavera e do verão. Também não é possível afirmar que os eventos registrados em anos anteriores serão repetidos exatamente da mesma maneira.
Nascimento afirma que episódios extremos ainda podem ocorrer, mas não projeta para o Rio Grande do Sul uma repetição do cenário observado em 2023 apenas com base na intensidade atual do El Niño.
Fenômeno pode continuar em 2027
Os modelos indicam que o El Niño deve continuar se fortalecendo até o final de 2026. A previsão oficial aponta permanência do fenômeno até o trimestre entre março e maio de 2027.
Para o período entre abril e junho de 2027, a NOAA calcula 55% de probabilidade de retorno à neutralidade climática, fase em que não predominam condições de El Niño nem de La Niña.
Até lá, o comportamento das temperaturas do Pacífico e das condições atmosféricas deverá ser acompanhado continuamente. A próxima atualização mensal da NOAA está programada para 8 de outubro de 2026.







