Levantamento aponta envelhecimento do magistério, avanço dos contratos temporários e redução de aproximadamente 50 mil profissionais efetivos entre 2015 e 2025
O número de professores com até 24 anos atuando no ensino médio público brasileiro caiu 31,1% em uma década. Em sentido contrário, o contingente de docentes com 60 anos ou mais aumentou 104,5% no mesmo período.
Os dados fazem parte da segunda edição da pesquisa Apagão dos Professores — O desafio da renovação dos professores no Brasil, elaborada pelo Semesp a partir de informações do Censo Escolar, produzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Divulgado nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, durante o Fórum Nacional do Ensino Superior Particular, o estudo mostra que a quantidade total de professores no ensino médio público cresceu 6,6% entre 2015 e 2025. Apesar do aumento geral, a composição etária da categoria mudou de maneira significativa.
Em 2025, aproximadamente 557,4 mil profissionais lecionavam nessa etapa da educação básica.
Presença de jovens diminuiu
Na faixa etária de até 24 anos, o número de professores caiu de 17.320, em 2015, para 11.937 em 2025. A redução foi de 31,1%.
O recuo também alcançou outras faixas mais jovens:
- entre 25 e 29 anos, o total passou de 62.481 para 50.088, queda de 19,8%;
- entre 30 e 39 anos, o número diminuiu de 179.319 para 157.254, redução de 12,3%.
Os dados indicam dificuldade para renovar o quadro docente e atrair profissionais em início de carreira para as salas de aula.
Docentes com 60 anos ou mais dobraram
A movimentação foi inversa entre os professores mais velhos. O número de profissionais com 60 anos ou mais subiu de 18.243 para 37.301 entre 2015 e 2025, crescimento de 104,5%.
Também houve expansão na faixa de 55 a 59 anos. O contingente aumentou de 31.105 para 46.108 docentes, alta de 48,2%.
Na avaliação do Semesp, os números revelam um processo de envelhecimento do magistério que, sem reposição adequada, pode dificultar a manutenção do número de professores necessário nos próximos anos.
Contratos temporários avançam nas redes públicas
A pesquisa também identificou uma mudança expressiva na forma de contratação dos professores.
O número de temporários cresceu 40,4% em dez anos, passando de aproximadamente 146 mil para 205 mil. A participação desse grupo no quadro docente público aumentou de 32,2% para 43,4%.
Enquanto isso, o total de professores concursados, efetivos ou estáveis caiu de cerca de 305 mil para 255 mil. A proporção desses profissionais recuou de 67,2% para 54,1%.
Em números absolutos, as redes públicas perderam aproximadamente 50 mil docentes efetivos ou estáveis e acrescentaram cerca de 59 mil temporários no período analisado.
Instabilidade pode afastar novos profissionais
O Semesp aponta que os contratos temporários atendem a demandas imediatas das redes de ensino, mas não oferecem a mesma estabilidade dos cargos efetivos.
Esses profissionais geralmente não têm acesso aos planos de carreira dos governos estaduais, o que limita a possibilidade de progressão funcional e de aumento salarial ao longo dos anos.
Para o diretor-executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, a baixa atratividade da docência não está relacionada apenas à remuneração. A diminuição dos concursos públicos, a instabilidade dos vínculos e a percepção de pouco reconhecimento profissional também ajudam a explicar a dificuldade para atrair e manter novos professores.
O avanço da idade média dos docentes, combinado com a redução dos profissionais mais jovens, amplia a preocupação com a reposição do quadro no médio e no longo prazo.







